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MAIS UM POKEMON

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1 MAIS UM POKEMON em Sab Ago 20, 2016 5:52 pm


00 - PRÓLOGO
Feline Eyes
A pokemon’s point of view can be really interesting, all you need is open your eyes to undertande theirs words. When you forget your past, everything you are is lost. The first thing you need is to know your history, so you can make your future. Lilth taught me so
O vento noturno
envolve os fragmentos de memórias
Um conto sobre o passado

Spoiler:
??? POV

O vento noturno me acariciava enquanto eu esticava meu pescoço para fora da janela do hotel. Eu sempre gostei do vento noturno. Era gelado, melancólico, reconfortante. O hotel era, como sempre, desconfortável e abafado, nada diferenciava ele de qualquer um dos anteriores. Ao menos nós iriamos embora dali na manhã seguinte.

Bem, mas não é como se o hotel que viria depois daquele fosse ser de alguma forma menos desconfortável e abafado.

Eu pessoalmente preferia quando acampávamos: desse modo era sempre possível sentir o vento noturno e as estrelas ficavam brilhando em cima de mim. Detestava como ela sempre apagava todas as luzes.

Nós acampávamos mais que ficávamos em hotéis mesmo ela preferindo dormir neles, então eu costumava deixar quieta minhas opiniões sobre o vento e as estrelas, mesmo quando ela decidia fechar a janela.

Esse era o nosso dia-a-dia: Viajávamos para uma cidade estranha, dormíamos num hotel, fazíamos nosso show por um tempo, depois voltávamos a viajar.  De vez em quando éramos perseguidos também. Ela detestava quando nos encontravam, mas eu achava mais divertido: shows eram legais, mas batalhas eram ainda melhores.

Ela ainda era fraca, mas havia crescido muito desde o dia que nos encontramos pela primeira vez. Como era ruim em batalhas eu que tinha que fazer tudo, mas as estratégias que elaborava eram o que faziam com que nós continuássemos vencendo de qualquer oponente que viesse até nós.

No dia que nos conhecemos o vento e as estrelas estavam bem confortáveis também. Eu nunca havia viajado antes e meu bosque e arredores eram tudo que eu sempre havia visto. As vezes sinto falta de minha casa, mas não me arrependo de ter decidido seguir caminho com ela. As vezes eu me pergunto se ela também sente falta do lugar que nasceu, por caminhos distantes que eu não cheguei a conhecer.

Na primeira vez que nos vimos ela também estava sendo perseguida, mas estava sozinha. O inverno estava chegando e eu, assim como todos os outros que viviam naquele bosque, estava correndo para conseguir alimento suficiente para passar o inverno. Minha mãe havia morrido no ano anterior e eu nunca cheguei a conhecer meu pai, então aquele seria minha primeira vez cuidando de tudo sozinha.

Não me entenda mau. Eu era forte. Não é tão difícil sobreviver quando se é forte. Mas era desgastante, isso eu não podia negar. Por isso aproveitei que o vento e as estrelas estavam confortáveis e fui dar uma volta pela noite.

Ouvi passos vindo em minha direção e por instinto decidi me esconder. Eu era forte, mas não era a mais forte do bosque. Foi quando vi ela pela primeira vez. Era bem menor do que é hoje – apesar de continuar bem maior que eu – seu cabelo estava todo desgrenhado e haviam cortes profundos por todo corpo. Havia entrado no território de algum Pokémon perigoso do bosque, só assim conseguiria aquelas feridas, supus. Ela corria cambaleando e não parecia acostumada a com terrenos com muitas plantas, pois logo tropeçou numa raiz e se espatifou no chão, bem perto do meu esconderijo. Me mantive estática para que ela não me ouvisse ou sentisse minha presença, não sabia se ainda era seguro sair.

Após vários segundos sem reação e com a poça de sangue se formando em volta dela, me perguntei se estava morta. Aquela era a lei do bosque que minha mãe havia me ensinado: apenas os fortes sobrevivem.

Já estava me preparando para sair de meu esconderijo quando o barulho de passos rápidos se aproximando se tornou claro do lugar que a menina havia vindo. Entrei em alerta novamente, com meu sexto sentido me alertando que algo ruim estava prestes a acontecer.  Já planejava sair do local quando um jato de fogo incendiou uma arvore perto de mim. Não havia mais vento refrescante, apenas um bafo quente. As estrelas iam sendo tampadas pela fumaça e a arvore chiava em desespero enquanto tinha seu tronco queimado, o fogo se alastrando como um vírus pelo bosque.

Meu coração disparou e eu me vi impossibilitada de sair de lá pelas chamas. O culpado, um Pokémon cão enorme e com chifres, pulou rosnando para o mar de fogo, sendo seguido por um homem musculoso com uma expressão debochosa e olhos que queimavam na mesma intensidade do ambiente. Ele estendeu a mão apontando para a garota morta e o Pokémon cão reagiu, percebi que ele lançaria outro Flamethrower, mas dessa vez, o alvo seria a garota e tudo que estivesse ao redor dela, incluindo eu mesma.

Apenas os fortes sobrevivem no bosque. Essa era a lei que minha mãe havia me ensinado: Ou eu lutava, ou morria.

Com um salto rápido, aproveitei que os oponentes ainda não haviam me notado e desferi um Scratch nos olhos do Pokémon cachorro. Percebi claramente que eu mal o havia machucado, mas fez com que este desviasse o rumo do ataque, mirando para o lado esquerdo. Senti minha pele ardendo ao ser pega de raspão pelo golpe, mas aquilo seria o suficiente para que pudesse fugir. O humano ao lado do Pokémon cachorro lançou um olhar de ódio que quase me paralisou.

Mas o olhar não era para mim.

A minha frente a garota havia se levantando, segurando o abdômen machucado e sujando a mão de sangue. Percebi, entretanto, que a ferida já não jorrava tanto quanto antes. Humanos sempre tiveram recover?

Não. Apenas por olhar nos olhos da garota, percebi que havia algum motivo real pela perseguição.

Ela me segurou pelo colo contra minha vontade e voltou a correr por entre o fogo. Resisti contra os braços dela, desferindo uma série de arranhões seguidos, mas ela não parecia se importar. Ela era lenta e os perseguidores já estavam atrás de nós, as chances de escaparmos era 0, as de derrotarmos aquele Pokémon também eram 0. Me perguntei se era meu fim. Meu bosque queimando a minha frente era a visão mais avassaladora que eu já tinha tido.

Senti algo gelado esfriando meu corpo quente, mas não era a brisa da noite. Nós estávamos dentro do rio que normalmente se congelava no inverno. Eu costumava beber água lá, mas detestava entrar dentro dele. Uma vez eu caí por acidente e minha mãe teve que pular para me salvar. Era gelado e aterrorizador.

O contraste da água, do fogo e da noite que me deixava com náuseas, me fez perder a consciência.

Quando acordei haviam algumas berrys pouco a minha frente. Estava com fome. Cheirei uma pecha e dei uma mordida, me deliciando com o suco doce. Percebi que que a garota me observava e ericei os pelos, ficando em alerta. Os olhos frios e vazios dela sorriram para mim e isso de algum modo me acalmou.

As feridas dela já estavam completamente curadas, mas minhas queimaduras ainda ardiam.

Percebi então o cheiro de fumaça. Meus olhos se arregalaram quando vi meu bosque reduzido a carvão a muitos metros de distância. Alguns Pokémons familiares andavam sem rumo pelos arredores, as expressões na mesma desolação que a minha. Todo nosso estoque, nossos lares, ninhos, todos destruídos, e tão próximo do inverno. Não sabia o que fazer.

Senti uma mão quente na minha cabeça. Os olhos prateados dela me lembravam a lua. Ela não ousava mais me encarar, como se pedisse desculpas.

Naquele dia, ela me contou toda a história dela, e eu contei toda a minha vida no bosque. Era difícil conversar com humanos - eles eram tolos e ignorantes, minha mãe sempre dizia - mas com ela era fácil.

Como nós não tínhamos outro lugar para ir, decidimos viajar juntas. Foi assim que começou nosso dia-a-dia.

Hoje eu estou mais forte. Sinto que se tivesse a foça de hoje naquela época, talvez pudesse impedir que meu bosque fosse queimado ou mesmo derrotar o Pokémon cachorro, mas se eu não tivesse perdido nunca teria me tornado mais forte. Ela também ficou mais forte. Ela ainda não batalha, mas os olhos prateados e vazios dela brilham muito mais agora do que antes. Com os comandos que ela me dita, não há batalha que não vençamos.

Decidimos abraçar o destino incerto de viajantes e seguir nosso caminho juntas. Meu objetivo e o dela são os mesmos: não ser capturadas e derrotar os homens maus que tentam nos capturar. Eu faço isso pelo meu bosque, ela faz isso pela família dela. Nós somos justiceiras.

- Lilth? – Ouvi a voz sonolenta dela se levantando da cama e logo suas mãos me carregaram para fora de meu vento noturno. – Já é tarde. Vamos seguir viajem amanhã. Durma.
Grunhi, percebendo que ela fechara a janela. Eu odiava quando ela fechava a janela. No dia seguinte, nosso ciclo de viagens recomeçava.

Lilth POV Off.

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2 Re: MAIS UM POKEMON em Dom Ago 21, 2016 5:04 pm


CAPÍTULO 01
Deceiving Sweet
Maybe I am way to prideful and don’t listen to anyone, but that’s what make myself, and I’m gonna win like that, without changing for another people.
Nunca se deixe enganar;
Perceba as dicas ao seu redor;
Um conto sobre o oculto do coração.

Spoiler:

Kyria POV

O sol da manhã penetrava por entre meus olhos semi-abertos gerando um desconforto extremo, normal para qualquer um que desejava continuar dormindo. Era cedo, talvez pouco mais que 7 horas da manhã, mas eu tinha o habito de acordar cedo. Preguiçosamente, tirei Lilth das minhas pernas, a acordando também, e me preparei para trocar de roupa.

Como costume, vesti uma de minhas roupas cheias de babados: elas costumavam chamar muita atenção, mas isso era bom para o meu trabalho. Minha mãe gostava de me vestir como uma boneca quando era pequena, então tomei o gosto e continuo com a tradição agora que ela está morta. Talvez seja um modo de relembrar do tempo com minha família.

Escovando os dentes e dando meus últimos ajustes na minha mochila de viajem, me preparei para sair do hotel depois de acariciar Lilth, que me seguia de quatro patas por todos os lugares que passava.

Desci para o refeitório tomar meu café da manhã. Como ainda era muito cedo não havia quase ninguém, do jeito que eu gostava. Fiz uma refeição reforçada levando em conta que voltaria a viajar ainda naquela tarde e não teria comida decente por um tempo. Também forcei Lilth a comer muita comida Pokémon como apenas Berries não possuíam todos os nutrientes que ela precisava, muito menos apenas as doces.

Acertei as contas com o gerente do Hotel e me preparei para ir em direção à praça principal da cidade. O sol matutino era confortável e me trazia um sentimento de paz, o que eu precisava para seguir viajem sem pensamentos obscuros.

Enquanto eu caminhava, acenava para alguns treinadores que havia conhecido no tempo em que havia me apresentado naquela cidade. Era bem fácil me reconhecer, certamente, e isso complicava minha vida quando decidiam vir atrás de mim. Na realidade seria muito mais fácil me vestir normalmente e tentar levar uma vida despercebida, mas algo dentro de mim não me permitia usar aquelas roupas simples e sem graça apenas por causa daqueles homens fedorentos que me perseguiam, seria como dar a vitória para eles.

Me dirigi a praça em que havia feito meu show todos os dias que havia ficado naquela cidade, tirando minha ocarina da mochila. Percebi que algumas pessoas que estavam em volta já haviam me reconhecido e se encontravam prestando atenção em mim, reunindo uma pequena plateia.

Coloquei um pote em minha frente e sem mais delongas comecei a tocar a música inicial do show. A música, tal como todas que eu tocava em meus shows, me havia sido ensinada por meu pai, um homem com um fetiche em músicas antigas e com algum mito por detrás.

“The Guardian shall arise to quell the fighting, but alone its song shall fail,”

Era o mito que a música contava. Dizia-se que ela havia sido inspirada no canto de um majestoso pokemon de regiões distantes. Meu pai havia feito toda uma pesquisa em cima dela, mesmo isso não sendo sua área de trabalho. Chegava a ser assustador seu vício com músicas que alcançam o coração das pessoas.

Lilth também fazia sua parte. Com movimentos sincronizados ela me proporcionava o ambiente perfeito para a música. Shadow Balls explodindo com o contado de Shadow Claws e criando brilhos negros cintilantes que contrasteavam com o céu azul da manhã, Dark Pulses misturados com Thunder Waves que causavam ondas coloridas em tons claros e escuros. Era quase como os Contest’s, mas tinha como objetivo acompanhar o ritmo da música e envolver as pessoas num ambiente mágico, e não dar destaque para Lilth em si.

Ao final da apresentação, meu coração e o coração das pessoas ao meu redor pareciam revigorados: Esse era o poder da música daquele chamado Lugia, trazer de volta a vida almas mortas, trazer de volta a sanidade mentes perturbadas pelo ódio, raiva, ou tristeza.

Após uma salva de aplausos e de ver que tinha tido um bom dia no quesito de dinheiro, fiz uma reverencia para meu crescente público e parti para minha segunda parte: Sugeri uma luta Pokémon. Todos gostavam de lutas, e se por acaso me derrotassem eu tocaria outra música.

Um garoto de aparência de torno de 12 anos se destacou no público, avançando alguns passos. Com uma voz baixa e temerosa e olhando para os próprios pés, ele acariciou o eevee que tinha no colo.

- Eu... Eu quero batalhar com você! – Ele disse de maneira levemente infantil, fazendo com que seus cabelos loiros balançassem com o vento suave e os olhos azuis se mostrassem brilhando de maneira discreta. Os adultos da plateia deixaram escapar suspiros de compaixão pela imagem frágil que ele emanava – Essa é minha primeira batalha... E eu não tenho muita confiança... Mas após ouvir sua música sinto como se fosse conseguir!

Aquilo seria problemático.

Tentando não deixar escapar o suspiro de cansaço que teimava em querer escapar dos meus lábios, mantive um sorriso profissional e aceitei a luta.

O Eevee que ele segurava nos braços entrou em campo, me desafiando com um olhar inexperiente. Lilth eriçou os pelos, parecendo irritada, fazendo com que o Eevee recuasse um pouco, como se não quisesse uma luta contra um Pokémon ameaçador. Fiz um sinal para que ela se acalmasse.

Os espectadores comentavam entre si animados. Com minhas roupas eu parecia uma espécie de boneca. O garotinho por si só já emanava a mesma aura. Era como ver aquelas peças de Pokewood onde eles magicamente só escolhiam crianças de 10 anos absurdamente bonitas e adoráveis para encenar jornadas Pokémon, como se a realidade fosse daquela forma.

- Puffy, use quick attack – O garotinho disse baixo, mas confiante, levantando o rosto e deixando suas feições delicadas a mostra. Ele brincava com os dedos com um movimento nervoso, típico de quem era muito tímido. O Eevee encarou o mestre alguns segundos e veio com uma velocidade surpreendente para cima de Lilth, que mesmo sendo rápida por si só, não conseguiria desviar.

Estalei a língua, em dúvida se devia lutar a sério ou não.

- Thunder Wave, Lilth! – Me aproveitei que o Eevee vinha em minha direção para acabar com a velocidade absurda que ele possuía. Não tinha como eu desviar do golpe, de qualquer maneira.

Para meu desapontamento, o golpe não havia acertado o Eevee, e sim uma imagem estática idêntica à ele. Subistitute. Não tive tempo de ditar mais ordens, Lilth já estava sendo atingida por debaixo do solo por um Dig. Tudo havia sido tão rápido que eu sequer percebi que ele havia cavado um buraco. Expressão do garotinho perdeu um pouco a inocência e vi Lilth ficar impaciente para vencer. Conseguia ouvir ela resmungando do oponente na minha mente.

- Boa Puffy! – Ele comemorou, soltando um gritinho – Eu posso ainda não saber te comandar muito bem, mas você já é forte mesmo sem um treinador!

Tudo que eu queria era acabar com aquilo tudo logo.

O Substitute ficava pouco a frente do Eevee, como um holograma estático. Ele não desapareceria até que eu desferisse algum dano, e isso dava ao garoto uma tremenda vantagem. Eu precisava destruir o falso e logo em seguida atacar o original.

- Lilth, use Dark Pulse! – Ordenei, ciente que Dark Pulse atingia todos os Pokémons ao redor e possuía pouquíssimas possibilidades de esquiva. Vi o cenho do garoto franzir.

- Dig! – O Eevee olhou de relance para o loiro, cavando um buraco em uma velocidade absurda e desviando do golpe. O silêncio se instalou por alguns segundos enquanto todos estavam concentrados em ver de onde o golpe viria. Lilth olhava para o solo, incomodada. Ela nunca havia sido muito boa em aguardar.

O eevee estava demorando demais para atacar, e isso me deixava incomodada. Me perguntei o que estava planejando fazer debaixo da terra.

- Lilth, Hone Claws. – Observei a expressão do garoto tentando perceber qualquer variação que indicasse a oportunidade que ele podia estar esperando, mas o rosto inseguro se manteve. Lilth afiava as garras umas nas outras, parecendo irritada.

Foi quando o Eevee pulou. Ele atacava exatamente por debaixo de Lilth, que tentou escapar com um um pulo para cima. Ordenei um Fury Swipes, decidindo atacar o substituto até que ele se desfizesse e partir para um combo no verdadeiro no solo, mas, outra vez sem comando, o Eevee deu uma cambalhota no ar e se aproveitou da distração do substituto para partir para um Iron Tail. O golpe desfez o próprio substituto mas atingiu Lilth em cheio, a lançando contra o solo.

Grunhi, começando a ficar irritada também. O garotinho deixou escapar um sorriso um pouco diferente por alguns segundos.

- Ah, não! Meu substitute! – Ele retornou para suas feições normais – Mas você conseguiu acertar ela, Puffy! Muito bem!

A plateia comentava um pouco entre si no meio da batalha: eu havia vencido todas as lutas em todos os dias que havia ficado naquela cidade. Normalmente eu vencia e dizia que tocaria a música mesmo assim. Era a primeira vez que alguém parecia estar levando a melhor sobre mim. Os movimentos que o garoto fazia com a mão me davam aflição.

- Fury Swipes! – Precisava tirar o contato visual do Pokémon com o treinador, e para isso uma sequência contínua de golpes seria minha única escolha. O garoto comandou outro Quick Attack. Ele não planejava o mesmo golpe, não era? – Dark Pulse!

Com os Pokémons tão pertos, mesmo com o Dig ele não conseguiria desviar a tempo, e por ser de longa distância, o Dark Pulse o atingiria primeiro. Mas o sorriso diferente dele havia voltado para sua face. Olhei em volta para ter certeza que não havia perdido nada.

O golpe Dark Pulse da Lilth se espalhava pela superfície do solo. Aquilo havia sido um treinamento que fizemos para aumentar a concentração e o poder do golpe, uma vez que pelo ar ele se dissipava muito. Alguém que já havia lutado contra aquele modo, entretanto, parecia já saber como usar ele a seu favor.

O chão ao redor de Lilth começou a falhar pelo poder do golpe e antes que eu desse por mim ela afundava num pequeno buraco ao redor de si. Havia sido aquele Dig.

O Eevee saltou por de cima dela.  – Shadow Ball! – O garoto comandou

- Shadow Ball Lilth! – Eu só precisava cancelar o golpe para poder escapar daquele buraco. Mesmo Shadow Ball sendo um golpe inofensivo para pokemons normais, ele podia cancelar outro golpe. Aquele era o único movimento que eu tinha capaz de fazer isso.

Para minha surpresa, ou nem tanto assim, a colisão dos golpes não resultou em uma explosão. O Shadow Ball do Eevee ultrapassou o de Lilth, mantendo seu caminho inicial: Aquilo significa que a força do Shadow Ball era no mínimo duas vezes mais poderosa.

Com uma explosão, Lilth reapareceu desmaiada entre algumas faíscas obscuras vindas do Shadow Ball. Fui até ela e a peguei no colo, lutando para manter um sorriso profissional.

- É o fim. – Andei até ele, que exibia para mim aquele mesmo sorriso forçado – Eu tenho certeza que você vai ser um ótimo treinador. Parabéns pela vitória;

- É tudo graças a você moça, muito obrigado pela luta.  – Nos apertamos as mãos, deixando nossas expressões vacilarem um pouco. Ele me debochava com um sorriso. Eu sentia vontade de dar-lhe um tapa. – Eu queria poder ouvir mais uma música.

Os comentários da plateia eram dos mais variados. Alguns diziam que ele eu havia pego leve com o menino para que ele conseguisse confiança, outros que o Eevee deveria ser de algum treinador experiente, e por isso lutava sem comandos, outros que o garoto era uma espécie de gênio. De qualquer modo, todos estavam parcialmente certos.

- Claro, você venceu. A próxima música vai ser para você.

As expressões dele se amenizaram e o Eevee voltou para seu colo. Um vento suave atrapalhou seus cabelos loiros e as íris azuis foram tampadas pelas pálpebras. Comecei a tocar a próxima música.

“Oracion” uma música antiga da região de Sinnoh cuja lenda dita que tem o poder de acalmar o coração, afastar os males e trazer a paz. Desde tempos antigos a letra está registrada na Torre do Espaço-tempo, mas poucas pessoas já atualmente ouviram essa música ou conhecem-na.

Após o fim da música fiz outra reverencia, mas o garoto loiro não estava mais lá. Deixei escapar um suspiro, percebendo que Lilth já havia acordado em meu colo, parecendo frustrada. Acariciei um pouco seu pelo. Ela detestava mais que tudo perder para o Eevee de Lyle.

Agradeci a plateia outra vez, juntei minhas coisas e sai do parque, me preparando para seguir viajem. Lilth comia algumas frutas oran ainda no meu colo, resmungando uma ou duas coisas comigo de vez em quando. Foi quando ela deixou todas caírem e eriçou o pelo, chiando.

Pouco a frente vi Puffy nos observando. Lilth pulou do meu colo e correu em direção a ele, fazendo com acabassem saindo correndo pela cidade. Sem muita escolha, fui atrás dos dois até chegar em uma pequena cafeteria, quase no lado oposto do que devíamos seguir.

Lá, Puffy se espreguiçava no colo de Lyle, sendo encarado por uma Lilth furiosa. Lyle tomava um cappuccino com muito chantilly, uma expressão despreocupada. Sem se virar para mim, ele fez um aceno com a mão para que eu me sentasse com ele.

Carregando Lilth, eu me direcionei a cadeira oposta a dele na mesa. Os olhos cristalinos, frios como o gelo, se encontraram com os meus prateados, que provavelmente emanavam a mesma aura. Com aquela expressão serena e sem forçar um sorriso infantil, a verdadeira idade dele transparecia levemente por entre os traços delicados: Lyle possuía 16 anos, tal como eu. Ele havia crescido bastante nos 5 meses que ficamos sem nos ver. Antes ele possuía 1,57 metros, mas agora me alcançava nos 1,60. Me perguntei se ele apenas tinha tido uma puberdade atrasada, afinal.

- Já faz um tempo, Kyria. – Ele quebrou o silêncio com um sorriso frio que só não me dava calafrios pelo bigode de chantilly que ele provavelmente não havia percebido estar em seu rosto.  – Você ficou mais forte, usou um TM para ensinar Thunder Wave para a Lilth, não foi? Boa escolha.

Lyle era um garoto perigoso. Ele parecia fraco e inofensivo à primeira vista para qualquer um, mas suas habilidades de batalha e raciocino eram de se dar medo. Puffy era o único Pokémon que ele criava laços, e isso tinha um motivo bem claro: Todos os outros eram Pokémons de alto nível. Pokémons roubados.

- Você cresceu. Quem sabe seu tempo de desabrochar chegou? – Perguntei levemente provocativa. Ele estalou a língua, irritado. No final das contas detestava quando debochava de sua aparência. As vezes tinha a impressão que ele queria ser mais masculino, ele era um homem afinal.

- Não posso dizer o mesmo de você, acho que realmente vai continuar pequena para sempre – Bem, eu não tinha nada contra isso – Logo, logo eu ficarei mais alto que você.

Lyle era um ladrão. Ele trabalhava sozinho em busca de Pokémons raros e poderosos. Eu não sabia nada sobre ele, mas ele parecia saber muita coisa sobre mim. Meu destino era enfrentar uma organização criminosa em especial, casos isolados como os dele não me faziam diferença. Eu não era uma super-heroína, afinal, e nem tinha condições de ser. Se o Lyle se tornasse um inimigo, eu teria mais um fardo nas costas, então era melhor manter com ele boas relações.

- Qual foi o truque nessa batalha? – Perguntei, apesar de eu já ter percebido no meio da luta – Ensinou mesmo um comando para o Puffy a cada posição com as mãos?

- Ainda está em desenvolvimento! – Ele riu, parecendo satisfeito por eu ter entendido sua estratégia. Vi ele tomando mais um golpe do Capuccino e chamei a garçonete para pedir o mesmo para mim – Achei que testar com você seria uma boa oportunidade.

- Mesmo você disfarçando, fazendo o Eevee olhar para você com aquelas supostas frases de incentivo, ainda era muito obvio ele se virando toda hora. Os movimentos com as mãos eram muito precisos também – A moça voltou bem rápido com meu pedido, me surpreendendo um pouco. Tomei um gole, me deliciando com o gosto de chocolate.

- Hm... Vou levar isso em consideração – Ele olhou para a minha cara, achando graça – Haha, parece uma criança se sujando desse jeito.

Imaginei que eu também teria um bigode de chantilly. Tirei um espelho que estava num compartimento fácil na minha mochila e dei pra ele. Batendo as mãos na mesa em fúria, ele pegou um guardanapo e limpou a cara. Fiz o mesmo. Ele ficou vermelho por alguns segundos antes de retomar.

- Ainda sim, você perdeu a luta. – Aquilo me soou mais como uma criança retrucando do que tudo. As vezes ele tinha um pouco disso também, as vezes nós dois tínhamos. Às vezes, acho que todos tinham esse resquício de infantilidade e teimosia, principalmente quando não puderam ter uma infância normal. Talvez fosse um modo do coração aliviar a dor.

Os olhos dele retomaram a cor de gelo quando ele voltou a falar comigo.

- Você está indo para o sul, não é? – Não me surpreendi com o fato dele saber disso. – Eu estou indo para lá também, tem um treinador importante da região de Hoenn que pode ter uns Pokémons interessantes. No caminho, um passarinho me contou que aqueles caras vão estar te esperando.

Suspirei, decepcionada. As cidades do sul não possuíam nenhum ginásio e eram mais fora de linha que quaisquer outras da região. Esperava que se fosse pra lá, teria alguma folga daqueles homens do laboratório e seus capangas. Era até bem estranho Lyle estar indo para lá, ele não teria nenhum trabalho. Me perguntei quem seria esse treinador de Hoenn que ele estava falando e o que infernos ele estava fazendo no sul.

- Seus movimentos são muito previsíveis! – Ele falou em tom repreendedor – Nas batalhas, e aqui também. Não sei como não foi pega ainda. Se você não quer se destacar, tente usar roupas menos chamativas, ou no mínimo não sair lutando -

Me levantei da cadeira num estalo, deixando o dinheiro em cima da mesa. Lyle se calou. Me preparei para sair do estabelecimento e seguir viajem, não queria ouvir lições de moral de um ladrão.

- Obrigada pelas informações. – Disse, em tom frio. – Eu não vou mudar por causa deles. Vou conseguir vencer sem precisar fazer o que eles querem que eu faça.

E com isso me dirigi ao nordeste. Se eu seguisse aquele caminho, chegaria numa cidade movimentada com um ginásio. Seria o oposto do que eles estariam esperando, e se Lyle estivesse mentindo e fosse uma emboscada, ainda podia me esconder na multidão.

Kyria POV Off

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